sábado, 31 de maio de 2008

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É fantasticamente real a felicidade experimentada quando a noite avança os ponteiros do relógio e difunde o seu silêncio através da brisa fria oriunda do mar. O sopro vertiginoso das lembranças sobre as fotografias espalhadas reluz um brilho fosco e suave capaz de aquecer o espaço circundante, ponderando a temperatura insone e vagarosa que toma conta do meu corpo. As folhas de papel sobre a escrivaninha, alheias ao pó e à poeira dos ares, revelam os traços das letras que há poucos minutos reuni em versos simples; delicio-me ao contemplá-las. Olho pros lados, os livros se amontoam em sua sabedoria, ávidos por sentirem a textura dos meus dedos sobre suas ásperas e acolhedoras capas. As brancas paredes já sentem a devastação de sua idade, aclamando uma nova cor. Sinto, então, a solidão desfilar-se em sua formosura ímpar e deslumbrantemente convidativa a uma dança romântica. Inicia-se o espetáculo, as cortinas se abrem e o meu universo se impõe, tão bagunçado em sua organização peculiar, imerso no prazer de se descobrir diariamente sob uma nova ótica. O cenário inspira-me e encoraja-me a ‘deixar a rua me levar’, rabiscando as cenas marcantes e únicas, simplesmente bastantes para desenhar a linha por onde a vida passa.

... e suspiro genuinamente a chegada de novos tempos – os de ontem e os de amanhã.

2 comentários:

Marina Moura disse...

Isso foi escrito à meia-noite...

:)

Anônimo disse...
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