segunda-feira, 7 de abril de 2008

da ausência

Na cadência dos meus passos, desentranhei suavemente a vontade de crescer e voar por aí, cantarolando os dias e as noites de sonhos, feito pardal em liberdade. Tive tantas vontades que, confesso, não teria sido capaz de exercê-las, acaso possível, a um só tempo. O excesso, por muito me atrair, numa sede voraz de criar o inimaginável em tantas dimensões possivelmente impossíveis, acabou por revelar-me uma infinidade de opções que nem de longe se mostraram suficientes. E por não querer somente a matéria, mas antes o prazer de sentir o calor que brota dos poros quando se sai de casa euforicamente sem rumo, optei por perder-me em meio à realidade. Nesse percalço, os meus dias acharam-se revoltos pelas atividades que, paradoxalmente, contemplaram o atraso, o desleixo e a parcimônia exacerbada em sua execução. É, o meu instinto tem disso - individualismo extremado, culto ao egocentrismo espiritual; o que não passa de filosofia barata, cor sem nome e altruísmo disfarçado. Nessa última primavera, saí pra descansar e esqueci que não estava de férias, o que me fez um bem que só o céu e seu azul poderiam explicar.

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