Voltava pra casa. No caminho, observava. A cidade estava inteira, em sua pomposa velocidade; eu, aos cacos. Meu olhar se prendia aos rostos que acompanhava nas calçadas, imaginando o quanto de vida percorrida havia em cada olhar. Meu pensamento já não sabia em qual ponto se encontrava. Rememorei cada palavra, cada olhar, cada abraço. Sentia que ainda estava anestesiado, inebriado com o doce perfume e o frio suor que me escorria pelas costas. Internamente, meu sangue parecia concentrar-se num só eixo, meu coração já não bombeava como de costume. Não sabia quem era, mas era certo de que um pedaço de mim havia se perdido. O vermelho desbotou. Havia findado, enfim. E términos, ou talvez despedidas, me exterminam por quase integralmente. Sobretudo quando se planeja um mar sem fim e de repente a areia nos cobre de realidade. Lutei, muito. Mas fui vencido. Impingido então a dizer adeus. Ostentou-se a tão fadada negação do ‘pra sempre’. Escancarou-se a efemeridade, embora eu teimasse em refutá-la constantemente com minha intensidade. Pausei-me por dois dias, acobertando-me em afazeres cotidianos e dispersando-me com a paz interior. Escolhi o verde, que logo virou amarelo. Hoje, suscetível demais. E as lembranças, as incertezas e os questionamentos oportunizaram-se e visitaram-me ao longo do dia. Amanhã, quem sabe, eu retomo o meu azul.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
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5 comentários:
ler isso foi como se eu tivesse te emprestado um pouco do meu dia,da minha mente e dos meus sentimentos e vc tivesse transformado tudo isso em linhas.
realmente,nossos dias tem tido traços parecidos mesmo. ler o que você vem escrevendo nos últimos posts é ver-me em outro ângulo,congruente.
creio que felicidade é estado permanente não apenas momentos,porém quase ninguém percebe ai sempre fica em busca dela,a mais desejada do mundo.
desejo que você encontre a sua,em você.
serenidade. :*
'E términos, ou talvez despedidas, me exterminam por quase integralmente. Sobretudo quando se planeja um mar sem fim e de repente a areia nos cobre de realidade. Lutei, muito. Mas fui vencido."
eu tô lutando, pra não sentir o baque do fim, mesmo quando o fim tá do meu lado e eu viro a cara pra ele...
queria encontrar um pontinho de equilibrio e maturidade pra ser cpaz de de aceitar q as coisas acabam e devemos ser felizes por ela terem simplesmente acontecido. tenho q me acostumar com o luto de tudo na vida.
fica em paz ;*
Nossos cacos refletem na vasta cidade inteira de pedaços. E eu quero ser sempre parte, parte que sou e não serei, que era e não é mais. Quero a ser a parte nova, a parte velha que precisa ser deixada mas que também sou. Quero muito a eternidade, ainda que não aguente meus poucos dias de certezas sorridentes.
Mas a tua intensidade é tão bonita, tão bonita, que te confere uma aura furta-cor, uma aura de pra sempre.
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