E sabe-se lá como se deixou envolver. Foi o cheiro. Talvez. Era o tal que preenchia até o cheio. Em pensamentos. Lamúrias e questionamentos. E como sofria. À noite. De dia. Lágrimas em demasia. Suspirando esperança numa qualquer positiva resposta. Debruçava-se sobre si, pendendo pros lados. Perdida estava. Vazio, quão áspero é o frio. Desespero. Com ansiedade de distância, apelo, desejo. Pôs-se a escrever. Cartas recheadas de versos. De cor vermelha. Era intenso. Vibravam as sílabas. Tudo. Nada. Tais lágrimas. À espera. Tardia impaciência. Houve gritos. Muito silêncio. Tempo. Tão logo as marcas de agora por outrora. Impotência residual. Fuga. Às ruas, esquinas e botequins. Chamou-a para dançar, a dança da solidão. Fugaz. Arredia. Retornou então ao seu nicho. Sutis lembranças vieram. Mais lágrimas. Recorreu ao diário. Cansaço. Desabafo. Contou os dias. Foram meses. Rasgado o calendário. Viu-se ao chão. Aos prantos. Verde. Cinza. Seca. Amadurecendo. Em seu pranto. Já sem hora. Foi-se o tempo. E agora? Amaria igual sujeito. Amanhã. E depois.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
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2 comentários:
Me falta o que dizer pra descrever os sentimentos que brotam ao ler teus pensamentos e palavras tão cheios de poesia, de vida, de uma realidade artística contagiosa.
é sempre uma alegria vir por aqui. mesmo em textos tristes, o sentimento é de "eis aqui um artista..." e é feliz de se ver, de se ler.
:*
quinho me enche de orgulho.
encantador!
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