sábado, 6 de outubro de 2007

sensações


Esse gosto de cafeína inteirando meu paladar, numa madrugada despedindo-se da noite com o sopro frio do vento, inspira-me aos experimentos salientes e inusitados dos bons e velhos filmes. Oscilando mais que roda gigante em festa de padroeiro nas cidadezinhas do interior, uns pensamentos se confundem com letras minúsculas e calculam valores incalculáveis numa geometria de teoremas indecifráveis. As noites são tão curtas e tão longas, reiniciando relógios e prolongando insônia de sonhos. Nessas horas em que me vejo, singularmente, nesse intercâmbio incessante de ar e de sangue, bombeando um velho coração de pouca idade, escuto o barulho do silêncio noturno e grito aos suspiros. Crio cenários, desmonto estruturas, ergo as mais fascinantes obras físicas e no outro segundo não sei sequer martelar um prego. É um ciclo perfeito de fases que a lua traça sobre a esteira de tantos abrigos da vida. Há certas noites em que o escuro céu nos mostra um horizonte que nem mesmo a luz do sol nos permite enxergar.
É quase dia novamente, o gosto que agora me colore a boca é o da saudade, esse sabor amargo e eterno que jaz em todo o meu sistema vital.

2 comentários:

Anônimo disse...

está incluso nos meus honorários, também! :)

encantador. ;)

Eliza Brito disse...

Lindo é pouco, sublime talvez, perfeito seria melhor!
A coisa mais perfeita que li nos últimos dias.
:*