
Meus anéis e meus colares;
Meus perfumes, minhas fases.
As unhas tão pintadas;
Minhas mãos, as minhas marcas.
As roupas já não cabem;
Os sapatos estão parcos.
Nos espelhos, os rabiscos;
O batom vermelho arcaico.
Essas dores simultâneas;
Dos amores e dos partos.
... e ela suspirava em seus retratos.
- especialmente para Marina Moura, a conterrânea dos retratos.
Meus perfumes, minhas fases.
As unhas tão pintadas;
Minhas mãos, as minhas marcas.
As roupas já não cabem;
Os sapatos estão parcos.
Nos espelhos, os rabiscos;
O batom vermelho arcaico.
Essas dores simultâneas;
Dos amores e dos partos.
... e ela suspirava em seus retratos.
- especialmente para Marina Moura, a conterrânea dos retratos.
3 comentários:
Poxa, obrigada.
Hm, que lindo, o texto dedicado pra Má. :)
adorei.
E obrigada mais uma vez pelo comentário. a gente escreve as coisas tão sem pretensão que é feliz ver que alguém achou bonito.
:*
Eu lembro bem desse retrato...
Esse retrato feminino, tão bem retratado por um retratista masculino :)
Obrigada pelo "especialmente".
E por me fazer suspirar de emoção em seus escritos.
Beijo, conterrâneo!
haha
Escrever é um ato de fuga. Escrever é fugir para um outro lugar, como um refúgio onde o escritor se abriga dos pesados bombardeios da realidade. Mas o que o escritor faz nesse refúgio é o que torna-o diferente. Ele pode tentar recriar um lugar agradável para si, e esconder-se, ou pode traçar planos de resistência e combate ao que está lá fora, como estrategista que prepara-se para o contra-ataque. Foram essas as duas idéias que aprendi na literatura. Basicamente, o escritor romântico que embeleza a vida, e o escritor transgressivo que combate os problemas. Creio que você pensa ser o primeiro. Mas, relendo certos pontos, no seu escrito "O último romântico", há certa crítica, certo movimento que não a passividade do romântico, e, ao fazer isso, acredito que você travou certa luta. Mas que luta? Boa pergunta. Sabemos que a literatura não vai mudar o mundo, mas resignarmos não é sensato, pois a literatura muda algo, nem que seja algo em nós e naqueles que lerem nossas palavras. A literatura não muda o mundo, mas talvez mude as pessoas - pelo menos potencialmente. Por isso procuro descobrir a forma certa de martelar as palavras para criar a espada certa para o combate, mas, assim como o artífice que procura esmero em seu trabalho, procuro escrever algo que seja crítico e, ao mesmo tempo, tenha certa beleza. Acho que você se aproximou deste ideal meu ao escrever aquele texto e por isso precisei comentá-lo. Mas parece que este blog tem mantido até agora a primeira idéia de fuga: textos bonitos, mas sem o potencial crítico que acredito que você tenha. Afinal de contas, por que não podemos fazer espadas dignas de serem chamadas obras de arte, como os antigos artífices ferreiros? Mesmo que fiquem apenas emolduradas na parede, como símbolo de algo que está por vir.
E eu não faço a menor idéia de como achei o seu blog. Quando navego pela net não sei os rumos que tomo. E quando sei, sei por pouco tempo, pois logo me esqueço. Posso me lembrar de algo que fiz há dez anos, assim como posso me esquecer de algo que fiz há dez minutos. É fogo.
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