Naquela praça vazia ele vivia. E fazia do tempo a sua companhia. Plantava flores durante o dia, à noite poesia. Ninguém imaginava o que ele sabia. E o velho mendigo do chapeuzinho de palha jamais diria.
Linhas tortas, das que se esquivam e se perdem no meio do caminho, cambaleando letras esquecidas e denodadas: algo que nunca finda, que não se exaure até que se perca a vontade de refletir. Sou humano, e portanto imperfeito, egoísta, vulnerável, instável e emotivo. Tenho vinte e cinco anos, advogado por profissão e viciado em gente. Pernambucano e virginiano, herdei do sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo. Nas estantes, livros e revistas. Na vitrola, Chico e Bethânia reinam. Gosto de cerveja quente ou gelada, de vinho tinto e seco, de um bom uísque puro e sem gelo. Sou quase um alcoólatra. Acho que percepção é algo essencial e acredito na força das coisas que nos fazem sentir. 'Sentir' assim intransitivo mesmo. Preciso de uns dois cigarros por noite, mas nunca os fumo. Como bom idealista, não creio em grandes revoluções nem em atos de muita expressividade como ferramentas de mudança, mas sim nas pequenas frações, nos minúsculos gestos de nobreza e de educação capazes de despontar um sorriso. Aliás, sorrir é a ação involuntária que mais aprecio nas pessoas. Considero senso de humor sinônimo de inteligência. E acho muito bonito quem tem fé.
3 comentários:
Sempre penso quanta vida há por detrás de rostos escondidos na multidão, soltos, dispersos, queria poder desvendá-los, todos.
o cantinho direito me encanta!
Postar um comentário