
E bem pudera voltar a se apaixonar – feito menino crescido, com voz grave e barba arisca –, saltitando o coração por entre os portos, de cada volta do mar. Em pequenos barcos, sem bússola e sem destino, ancorando avidamente em lugares dantes nunca explorados, declamava seu instinto de um destino sem dono, de um amanhã sempre incerto. Sua antiga rotina, da arcaica maneira de sentir, transmudava-se a bravias emoções. Dedicava algumas horas à escrita, vez que, embutidos em garrafinhas, encaminhava os seus versos aos continentes. E num deles, declarou-se à vida: “só não hei de abandonar o velho vício de cotidianamente amar”.
2 comentários:
acho que é um vício que, se puder, ninguém escolhe deixar.
que novas garrafas sempre procurem o mar.
que é a vida sem amor?
ou morro de tanto amar o amor, ou o amor me mata de tanto me fazer amar.
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