segunda-feira, 29 de outubro de 2007

dias frios


Adentrou um inverno atípico em meio à primavera.



Tornou-se tudo gélido demais. A distância parece alongar-se em suas extremidades, num deserto solitário e inócuo. Chove. Neva. A pele se embrulha, cria camadas e mais camadas – em vão. Aflora-se uma sensibilidade ainda maior, deixando expostos os instintos, suscetíveis as fraquezas e desprovido o organismo de processo cicatrizante. Os sentidos parecem confundir-se, sem mais distinção de olfato, visão e tato. O corpo padece diante de tantas forças abstratas, sucumbindo ao cansaço mental que perdura por dias a fio. Os planos esvaem-se com o vento abrupto, abandonando os seus preciosos abrigos, e cedem seus lugares aos temores de uma cinza realidade. Os problemas surgem com uma só facilidade e a sensação é de impotência. A fuga se torna sutil, num isolamento inconstante de humores pervertidos que se intercalam por entre as horas. O silêncio dita as regras e os sentimentos já não respondem. Os sorrisos parecem enferrujar. A fragilidade incide, carcomendo as vontades e deixando sem fôlego a respiração. As lágrimas lutam para desanuviar a tempestade, como num esforço de reunião de forças, mas tudo é muito rijo e inerte. É uma guerra travada num ciclo incessante de existência, agora sob o efeito inebriante do frio.

3 comentários:

Anônimo disse...

de tão intenso, até aqui o frio chegou.

Anônimo disse...

Advogadooo, fiquei morrendo de frio! E eu sei como o frio faz a gente sentir tudo petrificado, tudo insuportável.
Tas bem? Fiquei triste com esse texto!
Estou aqui sempre!
:**

Camie disse...

eu queria um dia frio.
e queria gritar alto nesse dia frio. ninguém escutaria.
as pessoas não se escutam em dias frios. o ambiente parece falar, e ensurdecer todos os seres. a chuva parece algo em alto volume. em dias frios você não precisa chorar baixo.

:*