segunda-feira, 10 de setembro de 2007

desejo escrito


Existem os estilos pra diversificar o negócio, cada um com sua fita, com o seu passo, com o seu quadrado perfeito. E cada olhar diferente aprimora os sentidos, seja o tato, seja o olfato, seja ainda o paladar. Mas que diabos de exemplares excessivos, um estilo. Aquela escrita chamou-me atenção – seu penteado alvoroçado, com lantejoulas debruçadas sobre o tecido de seda envolto à nuca, seu vestido de fuxico estampado e a sandália de couro seco cheirando a sertão –. Paixão das fortes, meu senhor. Aquela imagem diante da retina reluzente, sob o enfoque corajoso do amor. Quantos suspiros! “Mas romantismo é retrógrado, estraga logo o encanto inovador”. Caretice ou convenção, seu argumento foi bastante desafiador. E começo logo a rimar, com poesia pífia de quem vive arruinado pelos desígnios do humor. O coração, vala de tantos poemas frustrados, é minha fonte de pudor. Devo deter-me. De suas confissões, descobri meu desejo de escrever vigorosamente em tempo mais-que-perfeito.

3 comentários:

nati disse...

pra minha surpresa 2 dias seguidos.

bela surpresa! ;)

Unknown disse...

o desejo de escrever, para mim, é sempre o maior desejo. Pois é a consagração dos sentimentos. Quando somos capaz de falar, escrever, é pq só então fomos capazes de analisar o que vivemos, mesmo só nos venhamos a entender nossas palavras.

Obrigada pela visita. Voltarei para dar uns bordejos por aqui....

Um prazer.

Marina Moura disse...

O tempo do amor é presente imperfeito.
O tempo do amor é presente imperfeito, vai aprimorando os sentidos, o tato, olfato, paladar.
A retina reluzente diante das imperfeições mais bonitas.
É mais-que-perfeito.

Adorei o texto, parece que veio um filminho junto com ele. Senti o cheiro de couro seco; vi todas as lantejoulas, a seda, o penteado alvoroçado, vi até paixão no ar, meu caro!
Beijo, Dan :*