segunda-feira, 27 de agosto de 2007

um ponto final para dois pontos

Cheguei aos vinte. Talvez com a inocência dos dez e com a consciência dos trinta. Rindo o meu riso e derramando meu pranto, sonhando acordado e almejando viver como escritor amador da sensibilidade irreal. Inventei um mundo, cheio de cores, metáforas e diferentes humores; nele me viciei, me recriei e me inventei. Vivendo sob paradoxos, em dois pólos intercalando-se em fases que vêm e vão, assim como os sonhos, numa perfeição peculiar. Tão velho e tão moço ao mesmo tempo, vivendo o presente num futuro que não sei se deveria me pertencer, mas que me eleva a tantos pensamentos outros que não os comuns ao meu tempo. Passado e futuro intricados numa teia complexa que se resume a minha vida e que se traduz no bom gosto pelo gasto. Saí por aí, catando valores por entre aqueles que me despertaram admiração, encontrei relíquias nos bons corações e neles me inspirei para construir meus ideais. Hoje, não me importo de ver a idade em mim, traçando espaços distintos, sem muita correspondência à lógica; mas me importo em ver a vaidade em mim, que, por vezes, tão exagerada que se faz, me ofusca a visão da razão e do bom senso. Costumo achar que sou sempre um esboço em construção, por mais clichê que seja isso dizer, mas que em função do meu exacerbado peferccionismo eu nunca me contente com o que foi feito; querer mais e sempre mais é o meu forte e que, por ironia, talvez seja o meu maior ponto fraco. Predestinado à companhia do acaso, talvez viva os cem anos de solidão, sentindo as sensações dos sentimentos mais indefinidos, inominados e raros.
A poesia corriqueira, as crônicas do dia-a-dia e o cotidiano da escrita imaginativa me embarcam numa aventura emocionante. Pinto, danço, canto e viajo em busca de mim mesmo. Quando me encontro, sinto-me no país de Alice, cheio das lúdicas maravilhas, burlando regras que acabam me impondo no verdadeiro jogo real da vida.
Vinte anos de pura bossa nova, de milhares de sambas, de tantas pausas de mil compassos. Duas décadas de uma vida bem vivida, apreciada em todas as suas arestas. Fui criança, adolescente e agora me torno adulto. E da felicidade pueril que hoje sinto em contemplar o cenário do meu circo com cara de hospício, eu digo: “meus vinte anos de boy, that’s over baby, Freud explica”.

5 comentários:

Anônimo disse...

e pq eu sabia q estavas escrevendo esse texto eu vim correndo aki...
mais curiosa pelo texto dos 20 anos impossivel..
e eu n preciso mais te dizer td o q eu te desejo...seria cliche demais...
entao...ta mais do q anunciado..te desejo felicidade plena...nem um pouco a mais...nem um pouco a menos...ok??
beijaoooo

Anônimo disse...

Tu, como sempre, surpreendendo mais e mais!
Lindo texto, lindo mesmo!

Meus parabéns! :*

Eliza Brito disse...

"É, depois dos vinte anos emagrecer fica mais difícil, tomar sol sem protetor começa a causar macha na pele, e os questionamentos indecifráveis deixam de ser apenas os 'quem sou?' 'De onde vim?' 'Para quê estou aqui?'
Ai que saudade dos meus quinze anos!"
Vê que diferença eu e tu advogado!!!!
Me ensina a ser perfeito assim.
Beijaoooooo

Anônimo disse...

preciso dizer que eu adorei o texto? linda reflex�o, como tu sempre faz...
e preciso te dizer o que eu te desejo para os pr�ximos anos? tudo de melhor... e mais textos lindos, pro nosso deleite!

beij�o, dani!!

Anônimo disse...

Interessante essa sua reflex�o.
� um mix do passado com a an�lise do presente.
Engra�ada essa efemeridade terrena... Hoje voc� escreve um texto dos seus vinte anos, amanh� dos trinta e por a� vai...
Tudo isso comprova nossa real exist�ncia e acaba fazendo com que nos sintamos vivos.

Parab�ns pelo texto!

;*