sexta-feira, 17 de agosto de 2007

poucas confissões

“Não vou dizer que tudo é banalidade, ainda há surpresas, mas eu sempre quero mais.”

Dessas confissões que tenho feito aos meus ouvidos, talvez tenha mencionado o fato de ter acordado e achado tudo indiferente. O quarto é o mesmo, com seus dois pequenos quadros na parede; a paisagem vista da janela nada mudou; o tempo continua frio e os meus pés gelados sentem o chão que sempre me sustenta. Das meias verdades que disse, tenho a impressão de que falei dos dias iguais. Já não lembro qual piada me fez ontem sorrir, ou nem mesmo do motivo das minhas últimas lágrimas num dia de derramar o pranto. A memória já não sabe se vai ou se vem. Acusei-me de inconstante – um certo cético errado por engano, ou tão certo quanto os resultados da tabuada. Não sei se amor ou humor, as palavras confundiram-se e os sentimentos misturaram-se, não sei quem começou e quem ao final chegou. Hoje o dia foi diferente, até escrevi num velho pedaço de guardanapo sobre aquele exagero de vaidade ou de vaidade exagerada, em que a ordem dos fatores não altera o produto, que não permitia sequer um sossego. Agora as portas se fecham, eu sei dizer do que sou capaz e não roubo mais o tempo de ninguém. Perder o vazio é, de fato, empobrecer.

2 comentários:

Marina Moura disse...

O vazio é mais precioso do que as lotações. Não se perde o vazio. Se perde a percepção dele.
E não se perde por não saber, já dizia Clarice.

Beijo, Dan :*

Anônimo disse...

"Poucas confissões" que dispertam milhões de elogios.

como sempre,perfeito.

teamo,daninho.